No último dia de maio, o New York Times noticiava que durante a BEA 2009 (BookExpo America) o Google antecipou aos editores americanos sua entrada no mercado de venda de livros digitais ainda este ano. Com o lançamento do Google Editions (este é o nome previsto da iniciativa), é bem provável que tenhamos que repensar tanto o conceito de ebooks quanto o de venda e aquisição de livros.
Um dia depois, em comunicado à imprensa, Gabriel Stricker, porta-voz do Google, declarava: “Queremos construir e apoiar um ecossistema de livros digitais que permita que os nossos parceiros editores disponibilizem seus livros para compra a partir de qualquer dispositivo ligado à Web”.
O Google será uma livraria on-line e competirá com a Amazon (primeiro passo para a Googlezon?). Tomando emprestada a expressão do Jeff Jarvis, jornalista e blogueiro do BuzzMachine, “What Would Google Do?” (título do seu último livro), tento imaginar este cenário um pouco mais à frente: O que o Google faria se fosse uma editora?
Pelo menos por enquanto, não acredito que o Google se transforme em uma editora (o que não lhe seria complicado), será apenas uma poderosa e contextualizada livraria on-line, fortalecida por seu próprio mecanismo de busca (como sua Pesquisa de Livros já antecipa).
Entretanto, é bem possível que no futuro (talvez, não muito distante), o Google decida oferecer também as ferramentas de edição e auto-publicação para os autores, ainda mais se levarmos em consideração o crescimento do movimento de autores independentes, os indie authors, nos EUA.
O Google Editions chegará acompanhado de uma nova buzzword, Cloud Publishing (Publicação em Nuvens), termo e conceito derivados, claro, de Cloud Computing (Computação em nuvem) que se refere, essencialmente, à idéia de utilizarmos, em qualquer lugar e independente de plataforma, as mais variadas aplicações através da internet com a mesma facilidade de tê-las instaladas em nossos próprios computadores.
Assim, na Cloud Publishing o conteúdo comprado não é possuído fisicamente, ou seja, mesmo que o download seja feito (salvo em cache pelo Google Gears, por exemplo), e acessado off-line, o leitor jamais terá propriedade sobre esse conteúdo, que poderá, a qualquer momento, ser atualizado on-line.
E isso, acreditem, será positivo para autores e leitores. Por quê? Explico: o leitor, ao comprar o acesso instantâneo a 100% do conteúdo de um único título (que permanecerá on-line), poderá consultá-lo de um browser (o cliente universal) instalado em qualquer computador, celular, TV ou quaisquer outros dispositivos de acesso. Todas as possíveis atualizações estarão automaticamente disponíveis, o que também tornará irrelevantes as discussões a respeito da “babel” de formatos de ebooks (ePub, PDF, Mobi, LRF, PDB etc).
O modelo de venda (e aquisição) de livros do Google se assemelhará ao pay-per-view. Através do poderoso mecanismo de busca do Google, os leitores encontrarão a informação que desejam, escolherão sua opção de acesso (temporária ou definitiva), efetuarão o pagamento, e acessarão o conteúdo on-line.
O livro “nas nuvens”, que há poucos anos parecia um sonho distante, está logo ali, na esquina, prestes a viabilizar o conceito do livro em rede, como web service, distribuído, processável e customizável. Ganha o leitor. Ganha o autor. Também ganham os editores que se anteciparem e começarem a explorar as possibilidades (que não serão exclusivas do Google, já que são baseadas em padrões abertos).
E, consequentemente, nunca é demais lembrar, novas portas se abrem para que a criatividade dos autores explorem (e inventem) novas e interessantes formas de se contar uma história.
Fonte: iMasters


O Google Developer Day 2009 acontece hoje, em São Paulo. Esta é a terceira edição do evento.